Chegaram cem mensagens hoje e noventa delas querem negociar preço.
Muita gente olha para isso e pensa: meu anúncio está bombando. Está errado. O anúncio recebeu cem mensagens e continua sendo um anúncio ruim, porque ele está chamando exatamente o público que você não quer atender.
Anúncio bom não é o que faz o seu telefone tocar sem parar. Anúncio bom é o que faz o seu telefone tocar pelas pessoas certas.
Guarda isso, porque é a diferença entre um mês exausto e um mês lucrativo.
Para de medir sucesso por quantidade de WhatsApp
No marketing, a gente chama cliente de lead. E existe uma regra simples: lead é para ser contado por qualidade, nunca por quantidade.
Cem leads ruins custam mais caro que dez leads bons. Custam o seu tempo, o seu humor, a sua paciência, e o seu dia inteiro respondendo homem que nunca ia pagar o seu valor.
Então troca a métrica. Em vez de contar mensagens, mede três coisas:
- A qualidade do homem que entrou. Ele fez uma pergunta de quem quer marcar, ou uma pergunta de quem quer testar?
- O valor que ele aceitou. Aceitou o seu preço sem discutir, ou fechou por menos?
- A chance de ele voltar. Esse é o número mais importante de todos, e quase ninguém acompanha.
Se você não consegue responder essas três sobre a última semana, você não tem dado. Tem sensação.
O seu anúncio é a porta da sua operação
É literalmente isso. O anúncio é a porta de entrada do negócio.
E se essa porta comunica bagunça, preço baixo ou desespero, não adianta reclamar de quem está entrando. A porta convidou aquela gente. Ela fez o trabalho dela direitinho, só que para o público errado.
Foto malfeita, texto igual ao de todo mundo, preço gritado logo na primeira linha, disponibilidade vinte e quatro horas por dia: cada um desses elementos é um aviso para o homem de que ali dentro se negocia.
Primeiro você muda a porta. Depois você observa quem entra, com a casa arrumada.
Cuide do seu jardim que as borboletas virão.
Se você quer ver na prática quais palavras estão fazendo a sua porta parecer igual à de todas as outras, escrevi um post inteiro sobre as palavras que deixam seu anúncio genérico.
Sete dias não é teste de nada
Agora a outra metade do problema, que aparece sempre junto.
A mulher chega numa cidade nova, fica sete dias, fatura pouco e vai embora dizendo que a cidade é ruim.
Sete dias não é parâmetro para nenhuma empresa do mundo medir se a demanda é boa ou ruim. É pouco demais.
Você pode ter chegado exatamente na semana em que o salário não caiu. Pode ter chegado na semana sem nenhum evento na cidade. Pode ter chegado numa semana que já ia ser fraca para qualquer pessoa que trabalhasse ali, inclusive as locais.
E aí você desiste e vai embora, carregando uma conclusão falsa sobre uma cidade que talvez fosse ótima.
Se o calendário do mercado ainda é novidade para você, ele muda completamente a leitura de uma semana fraca. Já expliquei isso em detalhe no post sobre o calendário do dinheiro e as semanas que pagam.
Como testar uma cidade de verdade
A primeira coisa nem acontece na cidade. Acontece antes.
Anuncia antes de chegar. Pelo menos uma semana antes. Quando você desembarca, a sua visibilidade já tem sete dias de idade e a agenda começa a encher no primeiro dia, em vez de no décimo.
Chegar e só então começar a divulgar é queimar a primeira semana inteira construindo algo que já deveria estar pronto. E depois culpar a cidade por isso.
Investe em marketing. Se você é uma empresa e não investe em marketing, você nunca vai faturar mais de mil euros por dia. Anúncio não é gasto, é matéria-prima de faturamento.
Dá tempo suficiente. Uma semana mede ruído. Você precisa de um período que cubra pelo menos uma semana forte e uma fraca, para saber qual é o piso e qual é o teto daquele mercado.
Luxo não bate porta
Existe um limite entre filtrar cliente e implorar por ele, e muita gente cruza esse limite sem perceber.
GP de luxo não bate porta. Baixar o preço quando ele hesita é bater porta. Responder às três da manhã é bater porta. Aceitar de novo quem já pechinchou uma vez é bater porta.
E existe uma lei de mercado que não perdoa ninguém: o que não é procurado vale menos.
O luxo não persegue. O luxo é encontrado.
Isso não é orgulho vazio. É precificação. No minuto em que o homem entende que existe um desconto escondido atrás da hesitação dele, o seu preço de tabela virou ficção, e todo o resto da negociação acontece abaixo dele.
E o sinal, peço ou não peço?
Essa pergunta aparece toda semana, e a resposta não é sim nem não. É quando.
O sinal filtra curioso, derruba bolo e protege o seu custo. Ele existe para separar quem tem intenção real de quem está passando o tempo.
O que o sinal não faz é te proteger do cliente perigoso. Quem faz isso é a verificação, e são duas coisas diferentes que muita gente mistura.
E mais uma regra que não tem exceção: só considere pago quando o dinheiro estiver na sua conta. Print se falsifica em dois minutos.
A decisão prática da semana
Pega o seu último mês e responde três perguntas, por escrito.
- De cada dez mensagens que chegaram, quantas eram de gente disposta a pagar o meu valor?
- Quantos clientes do mês passado voltaram este mês?
- Quando eu anunciei, em relação ao dia em que cheguei na cidade?
Se a primeira resposta for baixa, o problema é a porta, e você mexe no anúncio antes de mexer em qualquer outra coisa.
Se a segunda for zero, o problema é a experiência, e nenhum anúncio novo resolve isso.
Se a terceira for "no mesmo dia", achou a semana que você perdeu.
Telefone tocando é barulho. O que paga conta é quem está do outro lado da linha.
Assista e salve
- Telefone tocando sem parar não é sinal de anúncio bom
- 7 dias não é teste de nada: como medir demanda de verdade
- GP de luxo não bate porta
- Pedir sinal antes ou não? Não é sim nem não, é QUANDO
- No blog: As palavras que deixam seu anúncio genérico
- No blog: O calendário do dinheiro na Europa: as semanas que pagam e as que não pagam
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