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Estratégia · · 6 min

Nunca dê desconto: ancore o preço e dê bônus em espécie

Cliente pediu desconto? Não baixe o preço. Ancore o valor da hora, vire a concessão em cortesia lógica e dê bônus em espécie. Quem paga o preço cheio trata melhor.

Cris Galera
Cris GaleraMentora e Fundadora da Money Girls Academy
Nunca dê desconto: ancore o preço e dê bônus em espécie

Não dê desconto. Nunca. Quando um cliente pede pra baixar o preço, você tem duas saídas que mantêm o seu valor inteiro: ancorar o preço da hora antes de falar de pacote, e dar bônus em espécie, como uma hora a mais ou um upgrade de serviço. O número da sua hora não se mexe. O que se mexe é o que vai dentro do pacote.

Eu sei que parece frescura quando a conta do mês está apertada. Mas presta atenção no que acontece com quem baixa o preço uma vez: baixa duas. Depois três. E cada vez que ela cede, confirma pra si mesma que aquele valor não era real.

Eu comecei aos 25 cobrando R$ 80 a hora numa casa de massagem no interior de São Paulo. Parei em 2022, aos 35, cobrando mais de mil libras a hora em Londres. Nesse caminho eu vi a mesma cena em três continentes: a mulher que mais dá desconto é a que menos é respeitada. Não é coincidência. É mecânica.

A diferença entre o que você vale e o que você cobra é o imposto que você paga pela sua baixa autoestima.

Por que baixar o preço nunca é estratégia

Quando você abaixa o preço porque o cliente pediu, você não fez uma negociação. Você fez uma confissão. Disse pra ele, sem palavras, que o número do anúncio era chute.

E o cliente lê isso na hora. Se o preço cedeu com uma frase, o limite também vai ceder com uma frase. O horário também. O que pode e o que não pode também.

Tem um efeito pior, que quase ninguém admite: o programa com desconto sai pior. A mulher chega menos arrumada, menos animada, com a cabeça no que deixou de ganhar. Ela entrega menos porque recebeu menos, e o cliente sente. Então ele não volta, ou volta pedindo mais desconto. É um ciclo de dar mais por menos.

Cliente que paga o preço cheio trata melhor. Não porque é melhor pessoa. Porque as pessoas valorizam o que pagam caro. Eu vivi os dois lados. A R$ 80 eu pedia desculpa por existir e aceitava grosseria. A mais de mil libras eu dizia o preço, não explicava, não negociava. E era tratada como privilégio, porque estar comigo era um privilégio.

Ancore o valor da hora antes de falar de pacote

Ancorar é simples: antes de dizer o preço de um programa longo, você mostra a conta pela hora. O cliente precisa ver o número grande primeiro. Só depois ele vê o número do pacote.

Funciona assim. Ele pergunta o valor de um pernoite ou de um fim de semana. Você não joga um número seco. Você quebra a lógica na frente dele:

  1. "Minha hora é tanto." O número cheio, sem tremer.
  2. "Um pernoite de 12 horas, pela hora, daria tanto." Esse é o número grande, a âncora.
  3. "Como é um programa longo e a nossa primeira vez, eu fecho em tanto." Menor que a âncora, mas ainda um ticket alto.
  4. "E incluo tal coisa como cortesia." O bônus em espécie, que eu explico já.

Ele sai sentindo que fez o melhor negócio da vida. Você fechou um ticket que, jogando um preço redondo, não fecharia. E o número da sua hora continua intocado, porque a concessão foi no pacote, com uma razão lógica na frente.

Concessão sem lógica é desespero. Concessão com lógica é cortesia. O cliente sente a diferença no mesmo segundo.

Repare que a cortesia tem motivo: programa longo, primeira vez, data que te convém. Nunca "porque ele pediu". Quando o motivo é dele, você perdeu. Quando o motivo é seu, você deu.

Bônus em espécie, nunca em preço

Se você quer dar alguma coisa pra fechar, dá em espécie. Nunca em dinheiro.

Em espécie é: uma hora a mais no pernoite. Um upgrade de serviço que ele não tinha contratado. Uma massagem incluída. O jantar dentro do tempo. A segunda roupa que ele pediu.

O que acontece na cabeça dele: ele recebe mais do que pagou, e o seu preço segue o mesmo. Ele vai contar pros amigos que você foi generosa, não que você foi barata. E na próxima vez, quando quiser repetir, o preço de referência continua sendo o cheio.

Agora compara com o desconto: ele recebe o mesmo por menos. E na próxima vez, o preço de referência é o número com desconto. Você acabou de criar a sua nova tabela, pra baixo, sem querer.

Uma mentorada minha em Zurique tinha o hábito de tirar uma parte do valor pra "fechar rápido". Trocamos por uma regra simples: o preço não se mexe, o pacote se mexe. Ela passou a dar hora extra em vez de desconto. Os clientes gostaram mais, os tickets ficaram maiores e ela parou de sentir raiva no meio do programa.

Não liste o preço do programa longo no anúncio

Pernoite, fim de semana e viagem não têm preço na tabela. No anúncio você escreve que existem e manda o cliente perguntar.

Por dois motivos. Primeiro: um programa longo é sob medida. O que vai dentro de uma noite inteira com um homem é diferente do que vai com outro, e o preço acompanha. Segundo: a conversão acontece na conversa, não na tabela. Ninguém gasta mais olhando um cardápio de preços. Gasta quando alguém descreve a experiência até ele mesmo pedir o pacote maior.

Quando o preço longo está na tabela, você perde a âncora. Ele já viu o número, já comparou com a concorrente do lado, já decidiu antes de você abrir a boca. Quando o preço vem na conversa, você escolhe a ordem em que ele vê os números. E quem escolhe a ordem comanda o valor.

O que você faz amanhã de manhã

  1. Abre o seu anúncio e tira o preço de pernoite e de fim de semana. Deixa "consulte".
  2. Escreve, num papel, a sua frase de ancoragem: hora cheia, conta pela hora, número final com um motivo seu.
  3. Faz uma lista de três bônus em espécie que você consegue dar sem custo alto: hora extra, upgrade, jantar no tempo.
  4. Decide agora, de cabeça fria, que o número da hora não se mexe. Quando o cliente pedir, você já sabe a resposta, e ela não é um número menor.

Maravilhosa, o cliente que sumiu porque você não deu desconto não era cliente. Era um teste. E você passou.

Fontes

Leia também

Se esse texto fez sentido, me segue no Instagram em @crisgalera.moneygirls. E se quiser entender o método inteiro, ele está em https://moneygirls.com.br/escolha-seu-destino.

Perguntas que mulheres fazem sobre esse tema

O que fazer quando o cliente pede desconto no programa?+

Não baixe o número da hora. Repita o preço com calma e, se quiser fechar, ofereça algo em espécie: uma hora a mais, um upgrade de serviço, o jantar dentro do tempo. O cliente recebe mais sem o seu preço cair, e o preço de referência dele continua sendo o cheio.

Como cobrar um pernoite sem parecer cara demais?+

Mostre a conta pela hora antes de dar o valor do pacote. Ele vê o número grande primeiro, depois o valor fechado, com um motivo seu para a diferença: programa longo, primeira vez. A concessão vira cortesia e o ticket continua alto.

Devo colocar o preço do pernoite e do fim de semana no anúncio?+

Não. No anúncio você diz que existem e pede para ele perguntar. Programa longo é sob medida e a conversão acontece na conversa, onde você controla a ordem em que ele vê os números. Na tabela ele compara com a concorrente e decide antes de você falar.

É verdade que o cliente que paga mais trata melhor?+

Sim, e não é porque ele é melhor pessoa. As pessoas valorizam o que pagam caro. Quem pagou o preço cheio chega com respeito, cumpre horário e não testa limite. Quem conseguiu desconto já aprendeu que tudo em você é negociável.

#preço#negociação#pernoite#posicionamento#alto padrão

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