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Mentalidade · · 6 min

De R$ 80 a mais de mil libras a hora: entre com data pra sair

Comecei aos 25 numa casa de massagem no interior de São Paulo cobrando R$ 80 a hora. Parei aos 35, em Londres. O que fez a diferença não foi o preço inicial, foi ter data pra sair.

Cris Galera
Cris GaleraMentora e Fundadora da Money Girls Academy
De R$ 80 a mais de mil libras a hora: entre com data pra sair

Eu comecei aos 25 anos, numa casa de massagem em Santa Bárbara d'Oeste, interior de São Paulo, cobrando R$ 80 a hora.

Parei aos 35, em 2022, em Londres, cobrando mais de mil libras a hora. Cheguei a ser a mais cara da cidade.

Entre um ponto e outro tem dez anos e três continentes. E eu preciso dizer uma coisa que ninguém gosta de ouvir: o que separou esses dois números não foi beleza, não foi sorte e não foi coragem. Foi ordem de operação.

No vídeo eu falo assim: "me aposentei cobrando no mínimo mil dólares a hora, que na época era R$ 6.000 a hora". Mas o número do fim não interessa sozinho. Interessa o caminho até ele.

Preço não é coragem, é caixa

A pergunta que mais chega para mim é sempre a mesma: cobro caro ou cobro barato?

A resposta honesta é que eu não posso responder isso por você, porque preço não é uma questão de atitude. É uma questão de saldo.

Preço alto significa poder dizer não. Quando você cobra caro, você vai recusar muito mais cliente do que vai aceitar. E recusar cliente com a conta apertada é impossível. Você recusa na segunda-feira e aceita na quinta pela metade do valor, com raiva, com culpa, e com o seu posicionamento arruinado na frente daquele mesmo homem.

Então a pergunta certa não é "quanto eu cobro". É esta:

Se eu recusar os próximos cinco clientes que pecharem, eu consigo pagar as minhas contas este mês?

Se a resposta é sim, você sustenta preço alto. Se é não, você ainda está na fase de fazer caixa, e não existe vergonha nenhuma nisso.

Volume primeiro, luxo depois

Quem não tem caixa começa de baixo. Pode ser de baixo no preço, pode ser de baixo na cidade. As duas coisas funcionam.

Volume é fase de acumulação. Você trabalha mais, cobra menos, junta reserva e, ao mesmo tempo, constrói as três coisas que realmente sustentam preço lá na frente: a estratégia, o personagem e a marca.

A única que pode pular essa fase é quem já tem dinheiro de outra fonte. Essa entra direto num posicionamento alto e pode negar cliente desde o primeiro dia sem se sentir culpada depois.

O erro não é começar no volume. O erro é achar que volume é destino. Tem gente há cinco anos na mesma faixa de preço, no mesmo tipo de cidade, com o mesmo anúncio, esperando que um dia o mercado decida pagar mais. Não decide. Você sobe quando monta a estrutura para subir, e não antes.

Entre nessa carreira com data pra sair

Essa é a parte mais importante de tudo que eu falo hoje.

A partir do momento em que você começa a pensar como se pensa num negócio, você fica fria e calculista. E a primeira decisão fria é esta: você entra nessa profissão com data para sair.

Não é pessimismo. É contabilidade.

Porque se você for indo, indo, indo, sem data, um belo dia você olha e tem 30 anos e ainda precisa trabalhar amanhã para ter dinheiro. Sempre um dia compensando o outro. Aí o job deixou de ser um meio e virou a sua vida inteira, sem nada construído embaixo.

Eu fiquei até os 35. Você pode ficar mais ou menos tempo que eu. O que não dá é ficar sem saber até quando.

Data de saída muda a sua meta mensal. Sem ela, a meta é faturar. Com ela, a meta é quanto do faturado ficou em pé.

Tudo que entra vira patrimônio

Aqui está a regra prática que eu repito sem parar: todo dinheiro que entrar, compra apartamento na planta, investe, monta o seu pé de meia.

Eu não sei como tanta mulher se joga nesse mercado sem um plano de gestão financeira. Fatura alto, mora bem, viaja bem, e no fim do ano não tem um único bem no nome.

O teste é simples. Pega o total que entrou nos últimos doze meses e pergunta: quanto disso ainda existe hoje?

Se a resposta for "quase nada", o problema não é o seu preço. O problema é que você tem faturamento e não tem patrimônio, e essas são duas coisas completamente diferentes.

Faturamento é o que passa pela sua mão. Patrimônio é o que continua existindo quando você para de trabalhar.

Os dois erros que mais travam

Os dois erros que eu mais vejo são espelhos um do outro.

O primeiro é cobrar caro sem caixa. Resultado: agenda vazia, pânico, e queda de preço em público, que é o pior tipo de queda, porque o mercado inteiro vê.

O segundo é ganhar muito bem e não converter nada em patrimônio. Resultado: dez anos de faturamento alto e zero de estrutura. Esse dói mais, porque demora a aparecer. Você só percebe quando já não dá para voltar atrás.

Os dois vêm da mesma origem: falta de plano. E plano não é planilha bonita. É saber em que fase você está, quanto tempo pretende ficar, e quanto de cada mês precisa sair da conta corrente e virar coisa.

A decisão que cabe hoje

Abre uma folha e escreve três linhas.

  1. Em que fase eu estou: fazendo caixa ou sustentando preço?
  2. Até quando eu vou ficar nesse mercado?
  3. Quanto de cada mês vira patrimônio, antes de virar qualquer outra coisa?

Se você não consegue responder as três, esse é o trabalho da semana. Não é anúncio novo, não é ensaio novo, não é cidade nova.

De R$ 80 a mais de mil libras a hora não é uma história de sorte. É uma história de fases respeitadas na ordem certa, com uma data marcada no fim do calendário.

Entra com data pra sair. É isso que separa quem usou o mercado de quem foi usada por ele.

Assista e salve

Me segue no Instagram em @crisgalera.moneygirls e, se quiser o método completo, ele está em moneygirls.com.br/escolha-seu-destino.

Perguntas que mulheres fazem sobre esse tema

Devo cobrar caro desde o começo?+

Depende de uma coisa só: se você tem caixa. Preço alto exige poder recusar cliente sem entrar em pânico, e quem está com a conta apertada não consegue recusar. Sem caixa, você começa de baixo, seja no preço, seja na cidade, faz reserva e depois sobe. Com caixa ou com dinheiro de outra fonte, dá para já entrar num posicionamento alto.

O que significa entrar com data pra sair?+

Significa decidir, antes de começar, quanto tempo você vai ficar e com quanto quer sair. Sem essa data, o dinheiro entra e sai, e você chega aos 30 ainda trabalhando amanhã para cobrir o dia seguinte. Com a data, cada mês tem uma meta de patrimônio, não só uma meta de faturamento.

O que fazer com o dinheiro que entra?+

Transformar em patrimônio antes de transformar em estilo de vida. Apartamento na planta, investimento, reserva. A regra é que o dinheiro precisa ficar em algum lugar que continue existindo quando você parar de trabalhar. O que fica parado na conta corrente vira despesa.

Quanto a Cris cobrava no começo e no fim?+

Começou aos 25 cobrando R$ 80 a hora numa casa de massagem no interior de São Paulo. Parou aos 35, em 2022, cobrando mais de mil libras a hora em Londres, onde chegou a ser a mais cara da cidade. No vídeo ela resume a saída como cobrar no mínimo mil dólares a hora, que na época dava cerca de R$ 6.000.

Volume barato não destrói o meu posicionamento?+

Destrói se você ficar nele. Volume é fase de acumulação de caixa, não destino. O problema não é começar no volume, é passar cinco anos nele sem nunca montar a estratégia, o personagem e a marca que permitem subir. Volume primeiro, luxo depois, nessa ordem e com prazo.

#patrimonio#mentalidade#precificacao#planejamento#investimento

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